O filósofo Allan Kaplan em seu livro “Artistas do Invisível” explica que isso acontece quando temos um olhar novo para aquilo que é conhecido. Segundo ele, para que isso se torne possível é preciso presença, algo como gostar de estar.
Estamos acostumados a transformar o nosso cotidiano numa paisagem, muitas vezes uma natureza morta. Desviar, diariamente, de um mendigo na calçada, não ver mais o caminho de casa para o trabalho, tornar corriqueiras as relações, antecipando o que o outro vai dizer ou achar que uma flor de tão linda pode ser de plástico é desconectar-se do viver.
O que nos surpreende é o novo, mas o exercício de ver o desconhecido no conhecido nos levaria a uma vida mais intensa e consciente. Meu trabalho se torna melhor quando dedico a ele um novo olhar. Meu casamento é renovado a cada dia que eu vejo o meu parceiro como inesgotável. A mesmice é uma forma de acomodação, nos aliena e nos faz regredir. Fazer algo pela décima vez como se fosse a primeira é privilégio de quem pode ver o invisível. Transformar é conosco, únicos seres capazes de mudar a cada instante.
Desde o amanhecer até agora nada mudou por aqui. Meu dente não caiu, meu marido é o mesmo, continuo em Ibiraquera, mesma casa, mesmo dia. E o melhor de tudo é que tenho a mesma sensação de que estou vivendo esse feriado pela primeira vez!

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