10.6.12

Como diria a Madre Terezinha...



                                    Fui convidada a me “retirar” do colégio Bom Conselho, de freiras, em Porto Alegre. Hoje, no jargão organizacional eu seria desligada ou disponibilizada para o mercado. Acontece que eu me senti injustiçada. Largar um “busca pé” dentro da sala dos professores, em pleno dia do meu aniversário de 14 anos, dia de São João, essa eu não tinha aprontado. A minha melhor amiga, Fatima Zacchia, hoje defensora pública, também não estava comigo nessa. Nós já tínhamos confirmado ter batido o sino antes do horário oficial, decorado uma lista de pecados idênticos para confundir o padre no dia de confissão e soltado uma bombinha básica no páteo para assustar as “crentes”.
                                  Eu peguei ódio da Madre Terezinha, com aquele véu ridículo e um dedinho indicador que mexia sem parar. Nosso diálogo foi curto:
“Para o ano que vem não teremos mais vaga para você aqui na escola”.
“Humm, que merda, mas tudo bem.”!
Ela pediu para eu repetir o palavrão e eu neguei que tivesse dito algum:
“O que eu falei mesmo, madre? Repetir o que”?
“Você disse Merda”.
                                 Bem, a partir daquela dia todo o colégio sabia que a madre Terezinha era uma desbocada.              
                      Eu  sai do Bom Conselho, a Fatima também, sem conselho algum para a nossa vida futura. Levei comigo o bordão:
“Como diria a Madre Terezinha, que merda”!
                                Repito essa expressão há mais de 40 anos. O engraçado é que esses dias me disseram que esse bordão vai voltar para mim. Alguém vai me dizer “como diria a Madre Terezinha, é f _ _ _ ( uma evolução do original) , sem saber que a expressão faz parte da minha história. Aguardo ansiosa o dia que isso acontecer!
                               Por enquanto a Madre Terezinha me ajuda a escolher o palavrão certo para a hora certa. Afinal, ela era f _ _ _!



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