“Esse é lindo”, olhando para os meus
seios, com conhecimento de causa, prosseguiu: “Para quem tem pouco seio eu
tenho esse modelo com bolha”.
“Bolha”?
“Sim, vou buscar. Meu nome é Pati.”
Eu, que estava querendo apenas comprar
uns pijaminhas básicos, acabei aguardando a Pati e um soutien com bolha .
Relaxei. Como seria uma bolha no
peito? Lembrei de quando amamentava meus filhos. Deixa prá lá, não era nada
disso.
O soutien tem
enchimentos que levantam o baixo astral. A Pati me disse que eu arrasaria com ele. Pensei com os meus
botões: será que eu quero um peito bolha, levantado, grandão? De curiosa, fui
provar. Meus seios foram para o pescoço, a blusa virou baby look e eu já nem
sabia mais o meu nome. Aquela ali no provador não era eu, com certeza. A Pati
ficou arrasada, eu acho. Nem me deu tchau. Sai da loja sem pijama, voltando ao
normal.
Como é que se vive com tanta
naturalidade esse “parece, mas não é”? Parece que tenho, mas não tenho. Parece
que sou, mas não sou. Parece que sei, mas não sei. Que gosto, mas não gosto. Que
compreendo, mas não. Parecia que a Pati era minha íntima, mas não
era. O mundo do “parece” nos tira a
naturalidade. Confunde o real. A Pati precisava sair da bolha e
vender pijamas para mim. Eu até entendi. Era dia dos namorados, momento
perfeito para vender um soutien “parece
que tenho um peitão”.
Bem, na próxima eu compro o que desejo. É dura a
vida de cliente.
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