20.3.11

Taxi, trânsito e casamento

                                        Levei 1h20m para percorrer,de taxi, menos de 10km em São Paulo. Pode ser uma perda de tempo, a não ser que se consiga abstrair, pensar na vida, considerar que é melhor estar presa no trânsito do que atrás das grades. Ninguém me perguntou se eu estava curtindo aquela música serteneja: "você não diz que tem outro, mas eu sei pelo seu olhar". O ambiente era agradável : ar condicionado de primeira, bancos muito limpos, motorista cheiroso, bem diferente desses táxis lá de Porto Alegre. Bem, talvez um travesseiro, uma cobertinha, tipo de avião. Revistas, água, uma boa cerveja.
                                      Trânsito em São Paulo é como casamento. A gente pode se irritar, profundamente, esperando que o outro mude, que descongestione a relação, que facilite a vida , que pegue à esquerda para evitar mais confusão. Bem, acontece que quando flui a gente nem se lembra de elogiar, acha que é obrigação da prefeitura organizar a vida da gente. Pode ser enfrentado como um divórcio: a gente vende o carro, troca de emprego, trabalha perto de casa e vai a pé. No máximo pega uma bicicleta. Pode ser como uma lua de mel, basta fechar os vidros, colocar uma música maravilhosa, pensar em coisa boa, sentir-se a mulher mais feliz desse mundo e agradecer por não estar em vigésimo lugar na fila do ônibus que pode chegar lotado. 
Quando desembarquei eu já tinha casado, divorciado, feito a minha lua de mel, resolvido meus conflitos cotidianos e, pontualmente, entrei na aula para falar sobre liderança e negociação com meus alunos da ESPM. O trânsito de São Paulo é maravilhoso para a gente perceber como é possível ser feliz, basta conhecer os melhores caminhos, alguns atalhos e ter tolerância, muita tolerância. 

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